
CISTERNAS RACHADAS A IGREJA DOS CRENTES.
A IGREJA QUE TROCOU A FONTE POR CISTERNAS RACHADAS
Um Estudo de Jeremias 2:9-25 à Luz da Tentação de Cristo no deserto.
O Mesmo Espírito, o Mesmo Desvio
“Porque o meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva, e cavaram cisternas, cisternas rachadas, que não retêm água.“ Jeremias 2:13
Quando lemos o capítulo 2 de Jeremias, temos a impressão de que o profeta não está falando para o antigo Israel, mas para a igreja de hoje, parece que o profeta está falando, talvez, para nossa igreja.
A denúncia divina parece ter sido escrita ontem.
O texto descreve um povo que pensava que conhecia a Deus, mas era só ouvir falar.
Eles ouviam falar e andavam com a boca cheia do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e das maravilhas que Deus fez na vida dos patriarcas.
Mas, apesar disso, para Deus eram pessoas que foram plantadas por Ele como “videira seleta de semente absolutamente pura”, mas que se degenerou, se corrompeu e se prostituiu espiritualmente.
O que aconteceu com Israel é exatamente o que está acontecendo com grande parte da igreja evangélica contemporânea: **trocou a verdade do evangelho pelas ofertas enganosas que Satanás apresentou a Jesus no deserto**.
Nos evangelhos, o diabo ofereceu a Cristo três coisas: **poder**, **prazer** e **posses** tudo em troca de uma única coisa: **adoração**. Jesus resistiu com a Palavra.
Mas a igreja, infelizmente, em muitos casos, caiu. Ela aceitou o negócio. Trocou a fonte de água viva por cisternas rachadas.
O Contexto de Jeremias 2. Um povo que não tinha dúvidas que o Deus deles é o Deus único e verdadeiro, mas o Abandonou.
Cisternas Rachadas na Sutileza do Desvio
Antes de aplicarmos o texto à igreja, preciso que você entenda o cenário original. Jeremias profetizou em Judá nos anos que antecederam a queda de Jerusalém para a Babilônia (cerca de 627–586 a.C.).
O povo de Deus não era pagão. Eles tinham o templo, os sacrifícios, a lei e os profetas. Eles eram o povo da aliança. Mas algo sutilmente havia se quebrado.
O Senhor, por meio de Jeremias, faz uma acusação formal. É uma espécie de julgamento. Deus é o promotor, o querelante, (o ofendido que move uma ação penal contra o autor de um delito). e ao mesmo tempo, Deus, é o marido traído.
O pecado de Israel não foi ignorância; foi **abandono voluntário**.
Eles sabiam quem era Deus. Conheciam os feitos poderosos do Êxodo. Tnham visto a abertura do Mar Vermelho, o maná no deserto, a água da rocha. Mas mesmo assim escolheram outros deuses.
O versículo 5 diz: “Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim?”
A pergunta ecoa até hoje: O que a igreja achou de errado em Jesus para correr atrás de tantas coisas que o mundo oferece?
O capítulo 2 de Jeremias revela um padrão que se repete tragicamente na história do povo de Deus e que agora se manifesta na igreja contemporânea.
O Coração do Problema – Os Dois Crimes
O versículo 13 é o coro de todo o capítulo. Deus declara: “Meu povo cometeu dois crimes: abandonou a mim, a fonte de água viva, e cavou cisternas, cisternas rachadas, que não retêm água.”
Quero analisar cada um desses crimes e aplicar à igreja de hoje.
Primeiro Crime:
Abandonar a Fonte de Água Viva
A Fonte de Água Viva: Esta é a imagem que Deus usa para descrever a Si mesmo.
No hebraico, a expressão carrega a ideia de um manancial que jorra continuamente, água em movimento, viva, pura, incessante, abundante e refrescante. A fonte não depende de nada externo. Ela mesma é a origem da vida.
É água que sacia a sede mais profunda, que restaura as forças, que limpa, que sustenta.
E o que significa abandonar a Fonte?
Significa:
– Trocar a presença real de Deus por substitutos.
– Buscar satisfação em coisas imaginárias em vez do Criador.
– Confiar em promessas humanas, sistemas religiosos vazios, filosofias motivacionais e fórmulas de sucesso. (Uma igreja que atrai, mas sem Palavra).
– Deixar a oração, o estudo da Palavra e a intimidade com Deus em segundo plano enquanto a agenda externa, as atividades religiosas vazias e mecânicas ocupam o primeiro lugar.
Pergunto: A igreja de hoje ainda bebe da Fonte?** Ou se tornou uma multidão sedenta que não sabe mais onde encontrar água verdadeira?
O que vemos em muitos lugares são templos cheios, mas corações vazios.
Há muito barulho, mas pouca unção.
Muita estratégia, mas pouco Espírito.
Muita música, mas pouca adoração em espírito e em verdade.
Diagnóstico: A Fonte foi abandonada.
Quantas vezes na sua vida você esteve em cultos, celebrações, onde você, e visivelmente toda igreja sentiu a presença de Deus naquele lugar, mas nada mudou na sua rotina espiritual depois que você voltou a sua vida cotidiana, não apenas você, mas de todos que estiveram ali com você?
Segundo Crime: Cavar Cisternas Rachadas
Se abandonar a Fonte já é grave, cavar cisternas é ainda pior.
A cisterna, no contexto de Judá, era um poço escavado na rocha para armazenar água da chuva. Mas você está entendendo que Deus esta usando metáfora?
Era um esforço humano para garantir a sobrevivência em tempos de estiagem. Mas o problema é que **essas cisternas estavam/eram rachadas**.
O rocha rachava, a água escoava, a terra contaminava o líquido, e o povo morria de sede.
A igreja está cavando suas próprias cisternas. E quais são essas cisternas?
São tudo aquilo que promete vida, mas entrega morte.
Promete satisfação, mas entrega frustração.
Promete poder, mas entrega escravidão.
O seu cansaço, a sua estafa, o seu desânimo, pode não ser o que você vê, talvez sejam as consequência do seu desligamento da “Fonte”.
As cisternas modernas incluem:
1. Cisternas Teológicas – doutrinas humanas que substituem a simplicidade do evangelho, que você muitas vezes quer impor na sua igreja. Pregações que exaltam o homem, a prosperidade material, a auto ajuda psicológica, mas negligenciam a cruz, o arrependimento e a santidade, e você nem percebe que esse desejo é estranho ao verdadeiro evangelho.
2. Cisternas Pragmáticas – estratégias de marketing, técnicas de crescimento de igreja, modelos de gestão empresarial aplicados à obra de Deus como se o Espírito Santo precisasse de ajuda humana para atrair multidões.
Você já ouviu aqui a estratégia, o modelo, que o Espírito Santo aplicou na Igreja em Atos 2:42-47. Mas, parece, ainda não foi suficiente para quebrar as fortalezas.
3. Cisternas Experienciais – a busca frenética por manifestações, emoções, milagres e sensações espirituais, sem o fundamento da Palavra. A experiência se torna o critério da verdade, e não a Escritura. Você percebe isto?
O resultado final é desastroso: a água vaza, o barro contamina e o povo morre de sede espiritual. Os cultos continuam acontecendo. As ofertas continuam sendo recolhidas. Os projetos continuam sendo executados. Mas a vida de Deus, em continuidade, parece não estar mais ali.
As cisternas estão rachadas. E a igreja não percebe.
A Videira Degenerada e a Perda da Pureza
“Eu te plantei como videira seleta, de semente absolutamente pura. Como então você se tornou uma videira degenerada e selvagem?” (Jeremias 2:21)
A imagem muda de fonte para videira.
Agora, Deus se apresenta como o agricultor que plantou uma videira de excelente qualidade. Ele escolheu a melhor semente. Ele preparou o solo. Ele regou. Ele cuidou.
Ele esperava uvas doces, suculentas, que produziriam vinho puro e agradável.
Mas em vez de uvas, a videira produziu frutos selvagens (a palavra hebraica aponta para algo nojento, podre, de mau cheiro). A uva se tornou amarga. O vinho puro se transformou em fel.
Esta é a imagem da degeneração espiritual, e ela não aconteceu da noite para o dia. Foi um processo gradual, quase imperceptível.
Primeiro, uma pequena concessão ali. Depois, um compromisso aqui. Uma doutrina relaxada. Um pecado “pequeno” tolerado. Um ídolo disfarçado de bênção. Um líder que caiu, mas foi coberto. E quando a (nação) igreja acordou, já era tarde demais. A videira estava selvagem.
A igreja que um dia foi projetada para pregar a cruz, poderá? vir a pregar a autoestima.
A igreja que um dia foi projetada para defender a verdade, poderá? negocia com a falsidade.
A igreja que um dia foi projetada para amar a santidade, poderá? se sentir confortável com o pecado.**
E a pergunta de Deus ecoa: Como você, que foi plantado com pureza, se tornou uma videira selvagem?
A resposta é dolorosa: porque a igreja decidiu crescer fora do campo da obediência.
Ela quer os frutos do Reino sem o solo da rendição.
Ela quer as bênçãos sem o compromisso.
Ela quer falar do poder de Deus sem viver na presença de Deus.
A Tentação de Jesus no Deserto.
O que Satanás Ofereceu e o que a Igreja Aceitou
Agora chegamos ao cerne da questão. Satanás ofereceu a Jesus três coisas no deserto, registradas em Mateus 4:1-11 e Lucas 4:1-13.
O diabo não ofereceu coisas ruins pelo menos não à primeira vista.
Ele ofereceu:
1. Poder (Transformar pedras em pães)
Satanás disse: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.”
O que estava por trás dessa oferta? A tentação de usar o poder divino para suprir necessidades imediatas, sem depender do Pai.
Jesus respondeu: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”
A igreja, com exceções, hoje caiu nessa tentação.
Ela quer o poder de Deus, mas não quer depender da palavra de Deus.
Ela busca milagres, mas negligencia a obediência.
Ela quer multiplicação de pães, mas não quer o jejum.
Ela quer o resultado, mas não quer o processo.
O culto virou um show de poder, uma vitrine de milagres, um palco para manifestações. Mas cadê a Palavra? Cadê a submissão à Escritura?
As pedras viraram pães, mas a palavra de Deus foi deixada de lado.
2. Presunção (Lançar-se do pináculo do templo)
Satanás disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo… pois aos seus anjos dará ordens a teu respeito.”
A tentação aqui era testar a Deus, exigir que Ele agisse segundo os caprichos humanos, forçar a mão divina para obter proteção espetacular.
Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor teu Deus.”
A igreja hoje caiu nessa tentação.
Ela testa a Deus o tempo todo. “Se Deus for real, faça isso.” “Se essa palavra for verdadeira, me dê aquilo.” A fé virou uma barganha. A igreja não confia mais em Deus; ela exige que Deus prove que é Deus. E quando Ele não age conforme os prazos e expectativas humanas, muitos se escandalizam e abandonam a fé.
3. Poder político e Glória (Os reinos do mundo)
Satanás disse: “Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos… se me adorares.”
Essa era a grande oferta: domínio mundial sem o sofrimento da cruz. Jesus poderia reinar imediatamente, sem passar pelo Calvário.
Bastava uma coisa: adorar a Satanás. Jesus respondeu: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás.”
A igreja hoje caiu nessa tentação. E talvez essa seja a mais grave de todas.
Ela aceitou o negócio: adoração em troca de poder, influência e relevância política.
Quantos líderes evangélicos hoje estão mais preocupados com palácios do que com altares?
Quantos trocaram o evangelho por gabinetes? Quantos usam o nome de Deus para angariar votos, para construir impérios, para acumular poder terreno?
A igreja se prostituiu com o poder político assim como Israel se prostituiu com os baalins e com as alianças estrangeiras (Egito, Assíria, Babilônia).
Jeremias 2:18 pergunta: “Que ganhas com o caminho do Egito, para beberes as águas do Nilo? ou com o caminho da Assíria, para beberes as águas do Eufrates?”
A pergunta atualizada seria: “Que ganha a igreja com a aliança com o poder político? Que ganha com as fórmulas de crescimento, com os métodos do mundo, com as estratégias de marketing, com os shows gospel, com os ídolos da fama e do dinheiro?”
A resposta é clara: nada. Absolutamente nada. Porque tudo isso são cisternas rachadas.
Valeria a pena também nos ir por esses caminhos?
O Resultado — Culpa que Não Sai, Sede que Não Passa (Jeremias 2:22-25)
O texto de Jeremias prossegue e descreve o estado espiritual do povo. É um retrato assustador da igreja que se desviou.
A Ilusão da Autolimpeza (v. 22)
> “Ainda que te laves com salitre e uses muito sabão, a mancha da tua maldade está diante de mim.”
A igreja tenta se purificar com ritualismo, com liturgia, com boas obras, com discursos bonitos, com “declarações de fé”, com campanhas de milagres, com ofertas especiais.
Mas Deus vê o coração. E o coração continua sujo. A mancha do pecado, do abandono, da idolatria, da prostituição espiritual continua ali, visível diante do Senhor.
Não adianta maquiar o exterior. A igreja pode ser linda por fora, templos gigantes, palcos modernos, músicas bem produzidas, pregações eloquentes, mas por dentro, continua seca, vazia, rachada.
Não é o nosso caminho!
A Teimosia Descarada (v. 23-25)
Deus diz: “Como dizes: Não me contaminei, nem andei após os baalins?”
A igreja contemporânea também nega.
“Não, nós não abandonamos o evangelho.”
“Não, nós ainda cremos na Bíblia.”
“Não, nós não somos idólatras.”
Enquanto isso, seus líderes correm atrás de poder político, de influência, de dinheiro, de fama.
Enquanto isso, os membros correm atrás das cisternas: dias de prosperidade, noites de libertação, “unções” vendidas, “cadeiras ungidas” compradas, “águas sagradas” negociadas.
A resposta de Deus para essa negação é poética e dura:
> *”Dize: Não espereis, porque amo os deuses estrangeiros, e após eles andarei.”*
É o retrato de um povo viciado em seus ídolos.
A igreja ama suas cisternas. Ama suas alianças. Ama seu poder político. Ama seus métodos mundanos. Ama suas músicas que imitam o mundo. Ama seus pastores-celebridades. Ama a fama. Ama o dinheiro. Ama os aplausos.
E diz: “Não espereis. Não vamos parar. Continuaremos correndo atrás dos deuses estrangeiros.”
Queremos Ser Cegos Nestas Visões.
Jeremías 2:9-25 — Análise Versículo por Versículo
Para maior clareza, e para que este texto sirva como base sólida para fixar a mensagem ou ensinar a corações quebrantados, seguem os versículos de Jeremias 2:9-25 com breves comentários expositivos, todos aplicados à igreja de hoje.
V. 9 — “Portanto, ainda contenderei convosco, diz o Senhor, e com os filhos de vossos filhos contenderei.”
– Deus está entrando em juízo. Ele não desistiu. Ele ainda confrontará a igreja que se desviou. A palavra “contender” indica um processo judicial. Deus reúne as evidências. Ele provará que a igreja é culpada.
V. 10-11 — “Passai às ilhas de Quitim, e vede; enviai a Quedar, e atentai bem… acaso trocou alguma nação os seus deuses?”
– O argumento de Deus é devastador: até os pagãos são fiéis aos seus falsos deuses. Mas o povo de Deus trocou o Deus verdadeiro por deuses falsos.
Aplique-se hoje: a igreja trocou a verdade do evangelho por modismos, filosofias humanas e promessas vazias; algo que nem os ateus fariam com seus ídolos.
V. 12-13 — *Espantai-vos disto, ó céus… porque o meu povo cometeu duas maldades…”
– O versículo central. Fonte viva vs. cisternas rachadas. Já comentado extensivamente.
V. 14-16 — “Porventura Israel é servo? Nasceu como escravo?…”
– Deus pergunta: por que vocês agem como escravos se Eu os libertei?
A igreja hoje age como escrava do mundo, do dinheiro, do poder, da opinião alheia, quando já foi liberta por Cristo.
Não precisamos nos prostrar diante do poder humano ou econômico. Cristo já é o Senhor.
V. 17 — *Não te trouxe isto o teres abandonado ao Senhor teu Deus?”
– Todas as consequências: esvaziamento espiritual, falta de unção, coração seco, Panelinha, divisões, escândalos. São resultado direto do abandono de Deus.
V. 18 — “Agora, que te importa o caminho do Egito, para beberes as águas de Nilo?…”
– Aliança com o Egito e Assíria representava dependência humana em vez de dependência de Deus.
Para a igreja de hoje: aliança com o poder secular, com o Estado, com partidos políticos, com esquemas de poder humano.
V. 19 — “A tua maldade te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão.”
– O próprio pecado da igreja será seu castigo.
O que estamos colhendo hoje? igrejas vazias de poder, vidas cristãs superficiais, jovens saindo da fé, escândalos de líderes; é o resultado do caminho errado.
V. 20 — “Há muito quebraste o teu jugo e rompeste as tuas ataduras, e disseste: Não servirei.”
– A igreja declarou independência de Deus.
“Não servirei” ao Senhor nos termos dele. Queremos servir a Deus nos nossos próprios termos. Queremos a bênção, mas não o compromisso.
V. 21 — “Eu, porém, te plantei como videira seleta… como, pois, te tornaste videira degenerada?”
– Já comentado. A degeneração espiritual é real e visível.
V. 22 — “Ainda que te laves com salitre, a mancha da tua maldade está diante de mim.”
– Já comentado. Rituais religiosos, campanhas, ofertas, jejuns — nada disso cobre a mancha do pecado não arrependido.
V. 23-24 — “Como dizes: Não me contaminei? … Camela ligeira, que se acostumou ao deserto.”
– A igreja nega sua idolatria, mas seu comportamento prova o contrário.
O texto descreve uma animal no cio, correndo descontroladamente atrás de seus amantes. Esta é a imagem da igreja correndo atrás dos prazeres e ídolos do mundo.
V. 25 — “Guarda o teu pé de andar descalço… mas tu dizes: Não espereis, porque amo os estranhos.”
– Deus avisa: você vai se cansar de tanto correr atrás de ídolos. Mas a resposta é: “Não espereis. Não vamos parar. Amamos os deuses estranhos.”
Este é o nível de afundamento espiritual. A igreja não quer ser curada. Ama seus ídolos.
A Exortação Final de Deus em Jeremias 2
Ainda dentro do capítulo, Deus continua Sua acusação, mostrando as consequências práticas do desvio:
> “Assim como o ladrão se envergonha quando é pego, assim se envergonharão os da casa de Israel.” (v. 26)
Chegará um dia em que a igreja que se prostituiu com os ídolos será envergonhada publicamente.
O que hoje é aplaudido como “sucesso gospel” será exposto como vaidade e apostasia.
> “Dizem ao pau: Tu és meu pai; e à pedra: Tu me geraste.” (v. 27)
A igreja coloca sua confiança em coisas criadas por mãos humanas: estratégias, métodos, líderes carismáticos, estruturas organizacionais, dinheiro, influência política.
Chamam essas coisas de “pai” , sua fonte provedora. Entregam sua alma a ídolos de madeira e pedra modernos.
> “Onde estão, pois, os teus deuses… que se levantem, se te podem livrar.” (v. 28)
Desafio profético: Que o dinheiro salve a igreja no dia da angústia.
Que o poder político a proteja quando o juízo de Deus vier. Que a popularidade, o número de seguidores, o tamanho do templo ou a conta bancária a livrem no dia da prestação de contas. Nada disso poderá salvá-la.
> “Por que contenderíeis comigo? Todos vós transgredistes contra mim.” (v. 29)
A igreja ainda tenta argumentar.
“Mas nós pregamos a Bíblia.” “Mas nós temos um bom culto.” “Mas temos milhares de membros.”
Deus responde: Não adianta contender. Transgrediram. A evidência é irrefutável.
> *”Debalde feri a vossos filhos; eles não aceitaram a correção.”* (v. 30)
Deus já tentou corrigir a igreja: com escândalos, com divisões, com vazio espiritual, com o afastamento dos jovens, com a perda de relevância.
Mas a igreja não aceitou a correção. Continuou no mesmo caminho.
> *”Acaso sou eu um deserto para Israel…”* (v. 31)
A igreja age como se Deus fosse um lugar de sequidão e morte.
Mas a verdade é que a sequidão está no coração da igreja, não em Deus. A fonte continua jorrando. O que está seco é o poço que a igreja cavou.
> “Pode, acaso, a virgem esquecer-se dos seus enfeites… pois o meu povo se esqueceu de mim.” (v. 32)
Deus usa uma imagem da vida cotidiana: uma noiva jamais esqueceria suas joias no dia do casamento.
Mas a igreja se esqueceu do Senhor. A joia mais preciosa, a presença de Deus, foi trocada por enfeites baratos e brilhantes: sucesso, fama, poder e dinheiro.
> “Como sabes bem o teu caminho, para buscares o amor!” (v. 33)
A ironia divina: Israel era especialista em correr atrás de ídolos, em fazer alianças, em buscar “amantes”.
A igreja de hoje também se tornou especialista em estratégias de crescimento, técnicas de retenção de membros, marketing digital gospel e gestão empresarial eclesiástica.
Mas se tornou ignorante em buscar a Deus de todo o coração.
> “Até nos teus vestidos se achou o sangue dos pobres inocentes.” (v. 34)
Acusação grave: o sistema religioso da época oprimia os pobres. A igreja hoje, em muitos lugares, também explora os mais vulneráveis. Dízimos e ofertas são extorquidos de viúvas e pobres com promessas falsas. Os “pobres inocentes” sangram no altar da ganância religiosa.
> *”Ainda dizes: Sou inocente… eis que entrarei em juízo contigo.”* (v. 35)
A pior parte: a igreja ainda se declara inocente. Não reconhece seu pecado, não chora seu pecado, não confessa seu pecado.
Por isso, Deus anuncia juízo.
> “Que tão leve te tornas, que mudas de caminho? Também do Egito te envergonharás.”*(v. 36)
A igreja corre de uma aliança para outra, de um plano para outro, de uma estratégia para outra. Primeiro busca ajuda no “Egito” (poder político, métodos do mundo). Depois na “Assíria” (movimentos gospel, modismos teológicos).
Mas tudo a envergonhará. No final, nenhuma cisterna sustentará.
> “Também sairás dali com as mãos sobre a cabeça.” (v. 37)
Gesto de vergonha e humilhação. A igreja que confiou nos ídolos sairá com as mãos na cabeça, envergonhada, derrotada, vazia. Porque o Senhor rejeitou suas confianças.
Porque nada do que ela construiu com suas próprias mãos, suas cisternas, resistirá?
Mas ainda é tempo de agir. É tempo de voltar.
A igreja que se desviou ainda pode voltar.
A fonte não secou. O agricultor ainda não arrancou a videira. O Pai ainda espera o filho pródigo.
Mas é preciso arrependimento. Arrependimento genuíno. Não desculpas. Não justificativas. Não “mas também”. Arrependimento significa parar de cavar cisternas e correr para a Fonte.
O que fazer?
1. Reconheça o pecado.
Confesse que você, que a sua igreja, que o seu ministério trocou a fonte pelas cisternas. Confesse que buscou poder onde Deus não estava.
Confesse que correu atrás de ídolos, dinheiro, fama, influência, estratégias humanas, alianças políticas, métodos mundanos.
Confesse que tentou se limpar sozinho. Confesse que amou os deuses estrangeiros.
2. Abandone as cisternas.
Pare.
Pare de confiar nos métodos que não têm Deus.
Pare de correr atrás do que o mundo oferece.
Pare de fazer alianças que comprometem o testemunho de Cristo.
Pare de negociar o evangelho por qualquer tipo de vantagem.
Destrua as cisternas rachadas.
Jogue fora os ídolos.
Arranque as videiras selvagens.
3. Volte-se para a Fonte.
Volte para a oração.
Volte para o estudo da Palavra.
Volte para a simplicidade do evangelho.
Volte para a dependência total do Espírito Santo. Volte para a cruz.
Volte para o único que pode saciar a sua sede e a sede da igreja.
4. Não negocie mais com o inimigo.
Assim como Jesus resistiu a Satanás no deserto com a Palavra, você também deve resistir.
Quando o diabo oferecer poder, prazer e posses em troca de sua adoração, responda como Cristo: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás”.
A igreja não precisa do poder humano, dos métodos do mundo, dos aplausos da sociedade, do dinheiro dos ímpios ou da fama passageira.
A igreja precisa de Deus. Só de Deus.
Oração de Arrependimento
Se você reconhece que a igreja, e talvez você mesmo, caiu nesse desvio, faça esta oração em voz alta ou em seu coração:
“Senhor Deus, Fonte de Água Viva, eu me arrependo. Perdoa a mim e à Tua igreja. Nós te abandonamos. Nós cavamos cisternas rachadas. Nós corremos atrás de deuses estrangeiros. Nós trocamos Tua presença por métodos humanos, Teu poder por estratégias, Tua glória por fama, Teu evangelho por mensagens baratas.”
Hoje, declaramos: CHEGA.
Não queremos mais as cisternas.
Não queremos mais os ídolos.
Não queremos mais negociar com o inimigo.
Volvemos para Ti.
Lava-nos, não com salitre ou sabão, mas com o sangue de Jesus. Restaura a videira. Sela as rachaduras. Enche-nos de novo da Tua água viva.
Em nome de Jesus, que resistiu a Satanás e venceu. Amém.”
Nele Também posso
Tudo isso que fiz, e tudo mais o que faremos,
sempre será pelas Graça e Misericórdia DELE,
Sempre segundo a sua vontade.
Porque toda Honra toda Glória é DELE e para ELE
SEMPRE
Se assim for da vontade dELE.
@siciadriano
